Médico destaca importância de diagnóstico correto sobre deficit de atenção

06/10/2011 18:30
Beto Oliveira
Audiência Pública. Tema: Transtorno do déficit de atenção (REQ 37/11, Aluízio)
O diagnóstico e o tratamento do TDAH foram discutidos em audiência pública na Câmara.

O doutor em neurofisiologia e professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Sérgio Luis Schmidt ressaltou nesta quinta-feira (6) a importância do diagnóstico adequado para o tratamento do transtorno do deficit de atenção com hiperatividade (TDAH). A doença é uma das principais causas do baixo rendimento escolar entre estudantes. O tema foi discutido em audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família, a pedido do deputado Dr. Aluizio (PV-RJ).

Segundo estimativas médicas, de cada quatro diagnósticos em crianças, apenas um está correto. "A gente erra muito no diagnóstico, porque os transtornos de atenção não estão restritos ao TDAH. Existem várias outras condições clínicas, que têm tratamentos diferentes. Às vezes, nem remédio é necessário", disse Schmidt.

Por essa razão, o especialista defendeu que pais e professores observem o comportamento dos alunos e façam avaliações clínicas com psicólogos e testes objetivos para melhorar o diagnóstico. Muitas crianças e adolescentes com suspeita de TDAH apenas não estão adaptados à escola.

Tratamento medicamentoso
Nos casos confirmados de transtorno de deficit de atenção com hiperatividade, a eficácia terapêutica do medicamento não é contestada. O psiquiatra José Miguel Neto é pai e marido de pessoas com essa doença. A filha dele de nove anos passou a se atrasar na escola a ponto de a direção sugerir que ele a levasse para psicopedagogos, fonoaudióloga e a um neuropediatra. Foi, então, diagnosticada com TDAH e passou a tomar metilfenidato. "Três meses depois de ela iniciar o tratamento, fui chamado ao colégio. Perguntaram 'o que fizeram com a Isabela, pois ela é outra menina? Ela participa das aulas, antes a gente nem escutava a voz dela'”, relatou.

Com essa experiência pessoal, o psiquiatra passou a receber crianças com problemas de deficit de atenção. José Miguel fez um grupo multidisciplinar com enfermeira e pediatra, e passou a atender, uma vez por semana, alunos de uma escola pública vizinha a ele.

O psiquiatra, citando uma pesquisa espanhola sobre o assunto, reforçou a importância do tratamento. "Constataram que 40% dos presidiários tinham diagnóstico de TDAH. Criança não tratada tem 40% de chance de evoluir para dependência química, atitude antissocial e criminalidade", informou.

O metilfenidato é o medicamento mais adotado contra o TDAH. A coordenadora do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados da Anvisa, Márcia Gonçalves Oliveira, afirmou que o registro de uma outra substância para o tratamento, a atomoxetina, está sob análise da agência reguladora.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto/Rádio Câmara
Edição – Marcelo Oliveira

Agência Câmara de Notícias

 

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